segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Funcionário x Colaborador

Temos a tentação de associar língua a comunicação, daí vem a impressão arrogante de que somente o homem se comunica nesse planeta. E essa já é uma prova de que nossa comunicação não é lá tão assertiva quanto parece, ela está muito aberta à interpretação, impressões e distorções como essa.

Por um “erro” de comunicação, se é que podemos usar essa palavra dentro desse assunto; a gente acha uma coisa, tem a percepção de que isso é verdade, transforma isso em verdade e vive acreditando nisso. Afinal, precisamos sempre desse apoio da verdade para nos mantermos no caminho. Sem essa busca ilusória somos bichos selvagens perdidos no tempo e no espaço. E a comunicação funciona como o garçom desse restaurante, trazendo sempre pratos cheios de verdades a quem quiser ouvir. Ou melhor, digerir.

Por isso a coisa entre nós é mais complicada, muitas vezes a gente quer exprimir uma ideia, diz outra e acredita em uma terceira. Quer um exemplo? Utilizar a palavra colaborador para designar funcionário. No mínimo isso é um eufemismo - figura de linguagem que emprega termos mais agradáveis para suavizar uma expressão – só que, nesse caso, o termo não precisa ser suavizado. Não existe nada de errado em ser um funcionário, muito ao contrário.

O caso é que a força do capital está muito próxima da força de trabalho, como nunca antes esteve. E isso gera a mudanças, o Endomarketing e a Comunicação Interna é uma delas, outra mudança é a busca pela identificação entre as partes. Antes era o patrão lá em cima, na janela mais alta, e o funcionário lá embaixo, no chão da fábrica.
 
Então, como as partes estão se aproximando, vendo que o movimento de ambas precisa ser sincronizado e para a mesma direção, existe um movimento para tentar colocar embaixo do tapete a lembrança da época em que o funcionário era “um nada”, sem direitos, sem voz e sem vontades. E o início desse processo vai logo, de forma certeira, tentar mudar o nome da coisa em si.

Um colaborador colabora. E esse verbo traz a idéia de voluntariedade, você somente colabora quando convidado e quando tem vontade, por isso esse termo é ligado à escrita, à cooperação que se dá a um autor na realização de uma obra literária.

Quem colabora não faz, auxilia quem está fazendo. E isso, com toda a sinceridade, as empresas não necessitam atualmente. Elas precisam de pessoas dispostas a exercer suas funções, a colocar em funcionamento. Precisam é de funcionários.

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