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quinta-feira, 30 de maio de 2013

Surfando na liderança

Liderança é assunto para encher enciclopédias e, muitas vezes, alimentar traças. Pois na hora em que a questão se apresenta o cenário é inédito ou as pessoas são imprevisíveis ou o momento é inadequado e por aí vai. Tudo para nos surpreender e deixar a vida em expectativa absoluta.

Um líder precisa ter, como bem disse Analisa Brum, “autodisciplina, energia, responsabilidade, carisma, tolerância ao estresse, poder de síntese, capacidade de assumir riscos, conhecimento, capacidade de aprender, de desaprender, que um líder precisa saber delegar, falar, ouvir, enfim, se comunicar.” Concordo plenamente, mas, por entender que o assunto é bem complexo prefiro simplificar dessa forma:

Liderança é não se apoiar nunca no movimento.


Imagine um surfista e uma onda. O surfista é o líder, a onda é o movimento imprevisível, as influências internas e externas de sua gestão. E por mais que o mar esteja flat, só com marolas pequenas, ele ainda é mar, nunca se acalma totalmente. Assim, o bom surfista nunca deve relaxar em sua prancha, se apoiar, descansar e acreditar que o momento certo ainda não chegou. 

Sei que surfar não é para qualquer um, mas para os verdadeiramente interessados existem diversos locais que se propõem a ensinar, chamados... escolas de surf. Afinal, ninguém nasce sabendo. E aí está a importância do treinamento contínuo, de estudo e investimento, da preocupação da empresa em abastecer seu público de liderança com informações diferenciadas e de um Canal de Comunicação exclusivo e qualificado.

Pois quem acha que é só ficar sentando na areia esperando o swell perfeito, vai tomar uma vaca.

Por mais que a liderança seja um traço de personalidade, ninguém organiza uma greve no Jardim de infância. As pessoas precisam trabalhar suas aptidões e tomar consciência e controle de seu carisma e criatividade, continuamente. Nunca devem repousar no movimento.

E para encerrar nossa parafinada analogia, posso afirmar que o mar, espaço do surf, sempre nos encheu de dúvidas. Quando nos referimos a ele sempre existe uma forte conotação de mistério, de respeito ao inexplicável, de espaço sem lei, de lugar impenetrável à razão, enfim, o mar sempre foi uma fonte inesgotável de enigmas. Assim como as práticas e teorias de liderança.


Mas um bom surfista sabe que não adianta perder tempo buscando respostas sobre o mar, a parada é pegar onda! Uhuu! Assim como um bom líder também sabe que sua função não é procurar respostas certas, e sim, buscar perguntas novas. 

sábado, 20 de abril de 2013

Implantação do setor

A vida é cheia de dúvidas, a vida é feita de vários E se...

Acho que é o tal do livre arbítrio, aquela ideia fundadora da dúvida da própria ideia, que nas horas mais difíceis se instituí e te coloca na frente de dois caminhos, ou três, ou mais. E se... eu parasse por aqui mesmo? Não tem mais texto, não tem mais nada, acabou. Vou ser chef de cozinha ou técnico de som ou bombeiro. Mas, e se...

Viver é estar continuamente se sofisticando, se aprimorando, evoluindo. E como essa idéia foi nossa mesmo, tudo segue este fluxo. A empresa evoluí, o produto evoluí, o cliente evoluí, o mercado evoluí e, é claro, o funcionário também.
E o mais interessante disso é que o proprietário sempre é também cliente de outra empresa, e exige bom atendimento. Que só existirá se os funcionários desta empresa estiverem engajados. Que só existirá se a empresa der a atenção necessária a estes funcionários. Logo, todos exigem Comunicação interna  e Endomarketing, desde o empresário, passando pelo cliente e chegando até ao funcionário. O mercado atual exige Endomarketing.

E nesse caso não existe E se...

O momento é esse, e quem não der atenção para o humano, para as necessidades, desejos e vontades das pessoas, sejam essas pessoas clientes ou funcionários, ficará fora do jogo.

Por isso, se em relação a esse assunto você ainda está na época do E se... pare tudo! Esqueça a quantidade e volte-se para a qualidade de um programa de Endomarketing. Não espere o tempo em que tudo estará pronto e correto para implantar as ações de Comunicação Interna, por que isso é um contra-senso. E se a verba não é a ideal, talvez nunca seja. Se o número de campanhas, ações ou canais de comunicação interna não é o que você planejou, talvez nunca chegue lá.

Pensando nisso, queria acender dois faróis para os navios que passam navegando por aqui:
O Endomarketing busca atingir a percepção das pessoas, e percepção é algo estritamente particular em cada um. Logo, a quantidade, o tamanho não é determinante, e sim, a qualidade do que é feito.

A velocidade das coisas, das pessoas, dos pensamentos, das certezas, atualmente, é tão absurda que não temos mais tempo de identificar o momento ideal, pois quando ele chega, já passou. 

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Paradoxos da Motivação

Trabalhar com motivação é um imenso desafio, se for com a de outras pessoas, uma incógnita latejante; se for com a sua própria, dúvidas cruéis e constantes. Mas, fazer o quê? Somos humanos e vamos brindar a isso! Só que entre um gole e outro, bem que podemos tentar entender um pouco mais dessa máquina de sentimentos chamada – nós (primeira pessoa do plural / laço feito de corda ruim de desfazer).

Por que permanecer motivado parece um desafio em que já saímos perdendo?

A resposta, segundo o psicólogo Barry Schwartz, se dá pelo fato de termos opções de escolhas demais, e infelizmente, não fomos criados para lidar com essa realidade. No entanto, já posso deixar o meu registro de que uma vida sem escolhas é impossível de ser vivida, mas, por outro lado, o fato de não conseguirmos equilibrar a balança e vivermos diante de um shopping de opções para tudo, se torna mais um ônus do que um bônus.

E o Sr. Schwartz continua: “Neste ponto, ter escolha não é mais uma força libertadora, mas debilitadora. Pode até se dizer que é tiranizadora.”

Ao sairmos da esfera do público interno para observarmos o consumidor mais de perto, em busca de respostas para a pergunta feita lá no início do texto, o nosso citado psicólogo em seu livro The Paradox of Choise (O paradoxo da escolha) afirma que em seu supermercado usual existem 285 variedades de biscoitos e 175 tipos de molhos para saladas.

 Nesse caso o ônus se dá através do tempo, pois até pode-se sair de casa com uma lista para compras, mas diante de tantas opções é certo de que a permanência no estabelecimento se torna muito maior do que o desejado. Desta maneira, temos um efeito de paralisa em vez de libertação diante de tantas opções apresentadas.

Outra questão muito pertinente nesta discussão é o fato de que diante de uma mesa repleta de comidas saborosas, antes mesmo de engolirmos a primeira garfada já estamos olhando para outro prato que não escolhemos. E isso se dá por um paradoxal questionamento interno que ao decodificarmos quer dizer, basicamente, que poderíamos ter feito uma escolha melhor diante de tantas. E isso nos joga em um círculo vicioso de antes mesmo de nos sentirmos felizes com uma escolha, somos imediatamente tomados pela dúvida que nos conduz à infelicidade desmotivadora.
 Enfim, quem disse que trabalhar com Endomarketing é fácil, lhe enganou. Pois não existem fórmulas para aplacarmos essa guerra interna que acontece em todo momento dentro de nossos territórios psicológicos, mas, pelo menos pararmos para analisar o que se passa conosco em relação a este mundo já é um grande passo, que nos tira do lugar anterior. E vejam vocês... Isso já é motivação!

segunda-feira, 25 de março de 2013

Um papo reto sobre Comunicação Interna

Já que iremos falar sobre Comunicação, então, nada de firulas. O papo é reto!

Um setor de Comunicação interna que seja responsável por revistas, jornais, murais, diversos eventos, várias ações, que tenha um calendário bem robusto e possua ótimos redatores, designers e gestores, se não manter contato com seu público, de muito pouco adiantará todo esse investimento.

Quando falo contato com o público não estou me referindo a e-mails, telefonemas ou cafezinhos; estou falando de contato mesmo, de uma troca real. E para não acabar citando uma lista de oportunidades e exemplos para contatos com os funcionários, prefiro trazer a seguinte máxima: Comunicação é satisfação.

A partir desta afirmação, podemos concluir que muitas pessoas podem até saber aplicar algumas técnicas da tal da comunicação, mas saber fazer é outra coisa. Pois a comunicação está muito além de um jornal corporativo bem escrito, afinal, a pessoa que entrará em contato com o material precisa ter satisfação, precisa ter empatia com tudo o que está envolvido na questão, principalmente com quem é o responsável por aquilo.

Quem nunca foi a uma festa praticamente obrigado, pois não ia muito lá com cara do anfitrião, e embora a festa tenha sido perfeita em todos os aspectos, simplesmente, não lhe agradou. E se lhe houvessem perguntado você diria que estaria bem melhor no sofá de sua casa ou em outro lugar.

Acho que essa situação responde a todo este assunto, pois em termos tão subjetivos como é a comunicação, não adianta você fazer seu trabalho todo certinho, com técnicas e aplicações irrepreensíveis, se você é um antipático, esnobe, inseguro, reservadíssimo, etc.

Pois é impossível, até agora nesse mundo, você sem dar nada, sem dar a abertura necessária conseguir a abertura esperada, conseguir atingir seus objetivos. Sinto muito, mas sua comunicação não irá alcançar nem 40% do que seria capaz se você se comportasse como espera que os outros se comportem.

Aí está um dos grandes problemas da comunicação interna (e de diagnóstico extremamente difícil): a falta de contato, de abertura de quem faz essa comunicação com quem a recebe. E a questão é simplesmente essa: as pessoas não a recebem. Pois existe uma barreira pessoal (e comunicação é totalmente pessoal!). Enfim, é como jogar sementes boas em terreno estéril, nunca vai nascer nada ali. 
Não esqueça: Comunicação é um esporte coletivo, de contato físico, de olho no olho, de risos, de intimidade. Comunicação é música, ritmo, tom, afinação, plateia, cantoria e acompanhamento. Comunicação é espetáculo, show, festa, diversão, movimento. Comunicação é solidão, coletividade, reflexão, impulso. Enfim, Comunicação é oferecer para resgatar.

sexta-feira, 15 de março de 2013

O Futebol e o Endomarketing II

A vitória existe e a derrota também. Um time precisa entender isso logo de início, pois senão a bola não rola redondinha. E os meninos, e meninas, aprendem isso na primeira partida que disputam e deveriam nunca mais esquecer: ganhar ou perder são somente consequências de um trabalho bem ou mal feito.

Existe sempre um capitão no time, ele que dita a direção e a estratégia do jogo, em todos os instantes. Você até pode questionar, debater essa decisão, mas sempre correndo, jogando. Não pode parar. E isso é um dos maiores equívocos na gestão de pessoal, suspender a partida para discuti-la. Pois a empresa não para, os setores não param e por isso nenhum integrante da equipe pode parar durante o jogo. Tem que refletir e jogar, ao mesmo tempo.

Outro ensinamento que vem do campo de pelada é que, a vitória deve ser comemorada sempre. Pois faz parte de um respeito ao adversário e uma forma de motivação e valorização de seu próprio esforço. Por isso, muitas vezes vemos equipes batendo metas, recebendo diversos benefícios e permanecendo apáticas, talvez seja a falta de uma boa comemoração para mostrar a ela mesma o quanto é boa e necessária.

E para encerrar essa analogia, não podia faltar a camaradagem. Esse elo que faz o contato e interliga os jogadores, na verdade é um sentimento ainda sem nomenclatura em português, é quase uma empatia amistosa misturada com um sentimento de alegria e proteção. É um sentimento muito bom, muito gostoso de sentir, que une a equipe a tornando mais forte, mais preparada para vencer ou suportar a derrota.

Enfim, trabalhar pode ser muito mais divertido, muito mais simples e muito mais parecido com jogar futebol do que você possa imaginar.

domingo, 3 de março de 2013

O Futebol e o Endomarketing

Não sou grande conhecedor de futebol, nunca fui fanático pelo esporte, mas, quando criança é bem comum um maior contato entre você, a bola e o gol. E acredito que isso me ajudou bastante em vários aspectos de minha vida, principalmente o profissional. Veja só:

Um time de futebol é uma equipe igualitária, não existem destaques durante o jogo, todos são importantes. Faltando um, qualquer que seja, do goleiro ao atacante, do faxineiro ao diretor, o time sofre e a vitória fica muito mais difícil.

A torcida é importante, mas não ganha jogo. E isso mostra que as palavras, gritos, reclamações, incentivos que vêm do lado de fora do campo são necessários, mas não decidem se haverá vitória ou derrota. Desta maneira fica claro que o ambiente externo sempre terá uma informação para o time, mas dependerá do time a forma de proveito que isso trará para o jogo.

Os pequenos problemas, os estranhamentos às atitudes alheias, os amiúdes das relações ou até mesmo o preconceito não têm espaço durante o jogo. Tudo fica pequeno, todas as suas convicções diminuem na hora que a bola rola, o ideal de todos passa a ser um só, o gol. E se o objetivo é único, então deixar que questões pessoais se coloquem à frente da finalidade da equipe ou da empresa é digno de cartão vermelho.

E falando nisso, temos um árbitro, temos uma lei que vigora e controla. E não adianta chorar, espernear, pedir perdão ou qualquer coisa do tipo. A lei do jogo, a missão, os valores, o posicionamento da equipe são autoridades máximas inquestionáveis, e devem ser obedecidas da mesma forma que um menino obedece ao juiz da pelada. Depois do apito soprado, é chuveiro, não tem volta, coisas da vida, levantar a cabeça, aceitar e seguir em frente.

(Continua na próxima postagem.)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A empresa perfeita faz o carnaval

Júlio Ribeiro, do Grupo Talent, uma vez citou que muitos estudiosos de administração consideram a empresa mais perfeita já criada até hoje a escola de samba, e eu, além de concordar com a afirmação, considero um ótimo exercício para a prática de um Endomarketing mais criativo a investigação desse mistério.
Como é possível motivar e unir 6 mil pessoas de uma comunidade carente, que já possuem seus problemas financeiros, familiares, sociais; com baixo nível de escolaridade a se engajarem em um objetivo que tem por finalidade o carnaval, a descontração e o descompromisso?

E o desfile de interrogações prossegue, pois para tudo acontecer é necessária muita organização, muita verba, pesquisas históricas, pesquisas de materiais, figurinos complexos, alegorias mais complexas ainda e diversas outras exigências.

E na hora exata, um espetáculo acontece. Com balés coreografados, música, teatralizações, orquestra com mais de 400 instrumentos, tudo isso se movendo continuamente por uma avenida. E o melhor, sem um ensaio completo e coletivo (os ensaios técnicos que ocorrem antes do carnaval não possuem carros alegóricos ou fantasias). Na verdade, é um improviso calculado, cada vez mais calculado.

 E todos os anos isso acontece, com mais de 99% das pessoas trabalhando de graça nesse processo. E então, essa particularidade brasileira é ou não é para ser muito pesquisada?

Já estive muito próximo da vida de uma escola de samba. É realmente impressionante o respeito, a devoção, o empenho e a alegria em servir e atuar para aquela instituição. O entusiasmo de trabalhar para a escola de samba do coração é algo que transcende, é como se as pessoas se libertassem do medo de errar. Pois já que estão ali por sentimento, o que elas fizerem será bem aceito por todos e por ela mesma, e com esse pensamento o nível de acerto fica sempre localizado na escala máxima.

A comunicação em uma escola de samba é um dos principais propulsores desse “milagre brasileiro”, pois ela é absolutamente horizontal. Os tamborins da bateria do Mestre Barbante estão atravessando, toda a escola sabe. Ano que vem as fantasias das passistas terá pó de ouro junto com pó-de-mico (para sambarem mais), toda a escola sabe. No carro abre alas, a águia virá colocando 500 ovos de páscoa, toda a escola sabe. E isso, em uma velocidade que coloca até a tecla Enter em dúvidas.

Dessa maneira, a informação se torna um bem impalpável para os integrantes-funcionários daquela agremiação, que movidos pela paixão-comprometimento, colocam-na em movimento em todas as direções. Mas com um único e claro objetivo, fazer o melhor possível na hora exata.

Pra encerrar em apoteose, quer conhecer o mistério? Pois bem, as escolas de samba já nasceram, mais precisamente em 1928, sabendo o que era o mais importante a se vender e o mais fácil a se comprar no mundo, tanto para fora como para dentro de si mesma: novas experiências.

E é isso o que elas sempre fizeram e ainda fazem, todos os anos, pra tudo se acabar na quarta-feira.

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

O Tempo da Percepção

Para falarmos um pouco mais sobre o tempo, cito uma frase que ficou em minha cabeça, após uma palestra que participei sobre Reputação, na ESPM: “A população mundial muda mais rápido do que consegue acreditar.”

Acredita nisso? E agora?

Agora é viver dentro dessa realidade. Adaptando a criação de seus filhos, o cuidado com seu cachorro, as compras de alimentos, as compras supérfluas, as compras desnecessárias, as compras que não servem pra nada, sua rotina de trabalho, sua relação sentimental e tudo o mais a essa nova forma de viver e, principalmente, perceber a vida. Ou melhor, de desperceber a vida e tudo o que nela há.

Mas até aí tudo bem, se essa nova forma de vida não desequilibrasse e colocasse abaixo tudo o que acreditamos como sendo vida. Pois o fato não é somente a estranheza que a velocidade das coisas nos causa, e sim, a incapacidade de acreditar que esse tipo de velocidade possa existir. Desta forma, deixamos de acreditar na nossa própria capacidade de acreditar. Pois quando você vai parar para deliberar sobre algo, já foi, já passou. Esqueça. Próximo da fila!

E no cotidiano corporativo, como o Endomarketing poderá nos ajudar?

Bem, com certeza não poderá ser através de nada que ocupe tempo, então até a sentença que dará essa solução deverá ser breve: foco. Nada mais do que isso.

Sem foco no que deseja realizar, esqueça. Sem foco no que espera alcançar, abandone-se. Sem foco nas etapas, atrapalhe-se. Simples assim, como nunca foi. E acho que caminhamos justamente para isso, para uma simplicidade descomunal, algo que nunca tivemos em nossas vidas complexas, cheias de manuais, processos e procedimentos. A partir de agora é tenha foco ou não tenha nada, e ponto fin...

Trabalhe seu Endomarketing em camadas, em etapas, pois se não for dessa forma, se houver várias ações ocorrendo ao mesmo tempo, vários canais de comunicação interna despejando informações, eventos motivacionais ou comemorativos agendados, tudo acontecendo ao mesmo tempo, prepare-se para pequenas participações e pouquíssimas absorções de mensagens. Feedbacks, mídias reversas, então, esqueça!

E o que justifica na prática a própria frase no início do texto é que, há algum tempo ter um setor colocando ações pelo ladrão e botando seu público-alvo para pensar e dar respostas seria algo positivo, atuante. Atualmente, é desgastante, inócuo, preocupante. Por isso, vá devagar. Mesmo que esse pedido esteja totalmente na contramão do mundo, vá devagar. Só assim você conseguirá ter tempo para poder perceber o que seu público está percebendo. Entende? 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Fazer o diferente deve ser o igual

Nesse mundo, especificamente nesse, a criatividade é mais do que necessária, é a bombinha para o asmático, a água para o golfinho, o chicote para o sádico, o silicone para a periguete, entre outros e outros.
Afinal, o mundo tornou-se uma aldeia global (desculpem o clichê!) e, por ser assim, tudo ficou muito parecido. A bermuda usada aqui foi feita lá, e todos têm uma igual. O sabonete esfregado aqui tem os mesmo princípios ativos daquele de lá, e causa o mesmo impacto ambiental (tanto no ambiente daqui quanto no de lá). O esporro que você toma do seu chefe aqui, pedindo mais velocidade, é o mesmo que se toma por lá.

Mas isso revela também um paradoxo muito interessante, que é de que quanto mais nos tornamos iguais na superfície cultural, mais buscamos o diferencial da nossa essência natural. E assim, nunca se viu o ressurgimento de dialetos como agora no mundo, como também a popularização de músicas antigas. É como se fosse um resgate do que nos tornou o que somos agora. E não acredito que isso se dê como forma de reflexão coletiva ou uma contemplação generalizada do tempo. A busca é por criatividade!

O próprio Endomarketing é um fenômeno que, em boa parte, se “popularizou” por conta dessa busca pelo diferente, porém, mais propriamente sobre esse processo gerencial interno podemos afirmar: Leonardo da Vinci estava com toda a razão, é preciso que seja tudo e ao mesmo tempo.

Criatividade para implementar cultura, tecnologia e ciência para o homem, em nosso caso, para o funcionário. E tudo ao mesmo tempo, pois veja os produtos que nos invadem as prateleiras, são shampoos feitos com sementes da Amazônia desenvolvidos sob a técnica da nanotecnologia com embalagens práticas, biodegradáveis, com design lindo e, por incrível que pareça, atende a todos os seus desejos de higiene. Enfim, um produto que lhe oferece tudo junto ao mesmo tempo.

Por esta razão, a criatividade nunca foi tão necessária em nosso mundo corporativo, é a estrutura vital de uma empresa que se faz a partir deste aspecto diferenciado, em se diferenciar. É preciso esvaziar as gavetas e rever tudo o que se acredita sobre engajamento, sobre informação, sobre motivação, sobre pertencimento. Pois o caminho é o mesmo, mas a pavimentação da estrada está se alterando a cada dia; definitivamente, não é mais possível motivar alguém sob a ótica de uma teoria desenvolvida em 1980, até a teoria precisa de arranjos criativos.

Sei que é bastante radical tudo isso que falei, mas, quem disse que estamos vivendo um momento para sombra e água fresca? O tempo é de tirar os foguetes da sala, afiar os dedos para o touchscreen, tomar seu suplemento alimentar e relaxar na angústia de um dia durante o outro.

Para o Endomarketing e a Comunicação interna, fazer diferente deve ser o igual.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Pensamentos e Frases sobre Fornecedores

Fornecedores são a prova de que o bem e o mal existem (e você pode escolher...).

Basicamente, ou um fornecedor é essencialmente bom, e você está com ele até hoje; ou é evidentemente ruim, e na primeira oportunidade você o troca.
A sensação da “primeira vez” é recorrente em relação a fornecedores, pois você nunca sabe como será o final do enlace.

Nunca trate mal ou despeje suas frustrações em cima de um contato comercial de uma gráfica. Eles são mais poderosos que o Papa, o Harry Potter e o Paulo Coelho juntos.
O cliente tem sempre razão. Essa máxima não existe entre negociações com fornecedores.

Não negocie responsabilidades com seu fornecedor. Pois ela é toda sua, desde o primeiro momento em que você o escolheu.

Quanto mais simples for o trabalho a ser executado, mais atenção ao fornecedor você precisa ter.

Um fornecedor bom é muito bom, mas um ruim... é melhor morar com uma sogra surda.

Uma negociação que começa dando muita importância ao prazo de entrega, termina reclamando muito do prazo de entrega (que dessa forma, nunca é cumprido).
Quanto mais rancor você guardar de seu fornecedor, mais ele guardará seu nome e telefone.

Custo não tem nada a ver com qualidade. Não é por que seu fornecedor está acima da média de preços que também estará acima da média de qualidade ou de entrega.

Não deixe acabar para solicitar. Fornecedores possuem um sensor de desespero.

Muitas vezes se desligar de um fornecedor é pior do que terminar um casamento de 25 anos com uma prima(o).

Afaste-se de fornecedores com o dom para vendas, prefira os técnicos.

Fornecedor muito amigo é prenúncio de tempestade, alagamento e erupção de vulcão.

Deixe sempre uma margem de decisão para seu fornecedor ter. Quanto mais ele se sentir parceiro e atuante, mais responsável ele também será.
Cuidado com os fornecedores árvore de Natal – aqueles que você coloca em sua sala uma vez ao ano. Porque após um ano muitas lâmpadas do pisca-pisca podem estar queimadas e todo aquele brilho não funcionar mais.

Prefira os fornecedores Sílvio Santos - aqueles que fazem tudo por dinheiro.

Flávio Rosa

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Tudo tem Seu tempo, ou o Tempo tem o Seu Tudo?

Com a licença de Caetano Veloso, quero reafirmar sua poesia Oração ao Tempo; que diz que o “tempo é o compositor de destinos e tambor de todos os ritmos”. Duas metáforas brilhantes que se encaixam, perfeitamente, como condição primária para o sucesso de qualquer ação ou iniciativa de Endomarketing.

O tambor é um dos primeiros veículos de Comunicação que apareceram nesse planeta, era ele que ampliava as informações entre as tribos. Com certeza vários tambores já ecoaram nesse mundo dizendo: Caçamos uma boa vaca das grandes, teremos festa, podem vir todos! Ou então, vai rolar uma pajelança essa noite para quem quer arrumar fêmea ou macho, é só chegar!
(Olha um jornal ali!)
Só que na verdade o ritmo é fruto do tempo, da junção entre silêncio e som, em espaços determinados. Logo, podemos dizer que quem possibilita toda comunicação é o tempo, ele que faz a diferenciação, a razão, o motivo, o entendimento e até o ruído, para que toda e qualquer informação chegue ou saia de nós.

O Endomarketing é feito de muitas coisas, mas essencialmente de tempo. Uma ação só possui valor e gera resultado se estiver no tempo certo: tempo de ser gerada, tempo de ser executada, tempo de ser recebida e tempo de respondida. Qualquer atraso ou adiantamento neste relógio nos dá de presente (do indicativo) o erro.
Deixar de implantar o setor de Endomarketing (agora!) é um grave equívoco. Esperar a certeza absoluta de uma informação para assim poder divulgá-la, pode até te dar segurança, mas também pode te dar trabalho quadriplicado: informar o correto, negar os boatos, renegar os boatos e reafirmar o correto. O tempo não abre janelas, ele é a janela.

Toda ação tem seu tempo para ser concebida, e virar realidade. Por isso não adianta começar a  desenvolver um evento de fim de ano no final de outubro. As chances de fracasso são imensas. Também não adianta fazer a revisão de sua revista correndo, pois a gráfica precisa começar a rodar hoje, pois com certesa diversos errus iram paçar.
Tudo na Comunicação tem seu tempo exato, afinal, ele é o compositor dos destinos. Ficou muito tempo sentado em sua mesa, mais de 40% de seu horário de trabalho, perdeu tempo. E terá muito mais dificuldades de alinhamento com seu público interno. Deu duas semanas a mais do que as necessárias para receber as inscrições daquela promoção, perdeu a dinâmica. Encerrou a reunião com meia-hora de antecedência, perdeu o interesse e a atenção dos participantes na próxima.

Por isso, em um setor de Endomarketing ou Comunicação interna, não esqueça que com o tempo não se negocia. Pois é ele que lhe possui, e nunca o contrário. 

sábado, 28 de abril de 2012

Mais um Dia do/de Trabalho

O tempo é o que há de mais forte no mundo. Ele dissolve tudo, ele faz as coisas mais relevantes perderem a importância, ele é única idéia realmente progressista, ele é o senhor do sentimento e da razão, tudo ao mesmo tempo.
 O dia Primeiro de Maio é uma das datas que merecem mais respeito e admiração em nosso calendário, desculpe-me os religiosos, mas é a verdade. Essa data, nada mais nada menos, é a comemoração da coragem, da luta por um objetivo para todos. Sem a politicagem do estilo Tiradentes ou do Descobrimento do Brasil, e também sem a representação figurativa de um dia Mundial da Paz. Estamos falando de algo preciso e honesto.

A História aconteceu em Chicago/EUA no ano de 1886, quando no dia Primeiro de Maio, é claro, milhares de trabalhadores invadiram as ruas reivindicando melhores condições de trabalho. E isso, essa forma de reivindicação, era uma novidade para o mundo.
Eles desejavam, principalmente, que a jornada de trabalho de 13h passasse para 8h. E o resultado dessa passeata foi a paralisação geral dos Estados Unidos, nesse mesmo dia.

A partir da resistência de terem seus direitos – não institucionalizados – atendidos, os trabalhadores voltaram às ruas e foram recebidos por outro tipo de resistência, a policial. Alguns morreram e as manifestações continuaram. Até que no dia Quatro de Maio, os trabalhadores organizados em um novo conflito atingiram um grupo de policiais com uma bomba, matando sete deles. O suficiente para que os restantes dos policiais abrissem fogo, atingissem dezenas e matassem 12 trabalhadores.

Em junho de 1889, a Segunda Internacional Socialista realizada em Paris, instituiu o dia do Trabalho em homenagem à coragem daqueles americanos. Que iniciaram uma história no dia primeiro de maio há muito tempo e que continua acontecendo todos os dias, quando seu despertador começa a tocar e lhe coloca de pé.

Por isso, no próximo dia Primeiro, quando ele não tocar, não deixe que o tempo apague a verdadeira razão e os verdadeiros objetivos que estão contidos nesta data.

Bom feriado!

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Sua Empresa Sustenta a Sustentabilidade?

O trenzinho da sustentabilidade (movido a carvão...) já partiu da estação faz tempo e segue passeando pelo mundo, recolhendo em cada parada diversos simpatizantes entusiasmados...

Desde setembro de 2011 a quantidade de pedidos do selo Leed de sustentabilidade, do Green Building Council Brasil (GBCB), vem crescendo progressivamente, ao ponto que atualmente a cada dia útil um empreendimento de construção civil solicita essa certificação no país.

Logo, concluímos: a sustentabilidade virou demanda de mercado. Com a inclusão da palavra sustentabilidade em um negócio se consegue vender mais rápido, mais caro e com mais velocidade. E é claro, diminuindo os riscos de investimento.

Por tudo isso, e mais um pouco, vem aí a Rio+20 – uma conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável que será realizada aqui no Rio de Janeiro, de 13 a 22 de junho desse ano. Esse nome, Rio+20, é por conta da comemoração dos 20 anos da Eco 92 (Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, também realizada no RJ em 1992), e terá o objetivo de firmar a agenda do desenvolvimento sustentável para as próximas décadas no mundo.

Enfim, é todo o planeta junto fingindo que está interessado mais na sustentabilidade do meio ambiente em relação ao homem, do que no lucro financeiro que essa ideia está gerando... ok. Acreditamos. Mas tudo bem, a humanidade sempre sobreviveu por conta de suas novas ideias, faz parte do jogo que somos obrigados a jogar.

O problema é a tal da danada da incoerência, que o Endomarketing chega para descortinar e deixar pública. Pois enquanto esses megaempreendimentos da construção civil, que citei há pouco, anunciam - ao mercado - em seus materiais de venda todas as estripulias que faz para que sua implantação agrida quase em nadinha a natureza, para seu público interno nada disso é efetivado e muito menos anunciado.

Vejo grandes empresas de cosméticos, de assistência médica, de bebidas e de vários outros nichos propagandeando suas inúmeras ações sustentáveis, como também seus próprios produtos sendo fabricados de acordo com a filosofia de que o que é melhor para natureza é o melhor para nós. Só que internamente, em algumas dessas mesmas empresas, essa ideia não flui no mesmo rio desenvolvidamente sustentável.

E sobre essa questão, pode ter certeza absoluta, todos estão antenados. Tanto o cliente que está fora, comprando; quanto o funcionário que está dentro, trabalhando para tornar a venda possível. Logo, se uma organização deseja surfar nessa onda precisa, em primeiro lugar, buscar coerência em suas ações externa e internamente. Pois já sabemos que não adianta vender seu peixe limpinho, de águas claras para o mercado e outro podre e sujo para seu público interno, principalmente sobre esses assuntos!


Atenção ao uso de papel de impressão, papel higiênico, papel toalha, papel do material de venda/publicidade, itens de papelaria, itens de sinalização interna e os papéis que compõem arquivos. Atenção à forma que os funcionários se deslocam de sua casa ao trabalho (e vice-versa), pois é preciso estimular a redução das individualidades nesses deslocamentos. Atenção ao consumo de: água, energia elétrica, aparelhos de tecnologia, viagens, telefone celular e fixo. Atenção aos uniformes, os tecidos que são feitos, sua quantidade a cada funcionário e a necessidade de trocas para lavagem.

Atenção à limpeza dos ambientes, os produtos utilizados, a forma e a periodicidade que é realizada. Atenção ao lixo, sua produção e seu descarte. Atenção à sua logística. Atenção aos alimentos consumidos pelos funcionários e suas formas de preparação.

E para encerrar esse oceano de atenções, muito cuidado com seu discurso e suas atitudes, pois nesse mercado da sustentabilidade o limite entre o corporativo e o particular é muito difícil de ser definido, como também, uma vez definido e institucionalizado este moderno caminho não é possível mais o retorno às práticas antigas, da época da sacola plástica de supermercado. 
 
Afinal, como a natureza nos ensinou, toda a existência depende do equilíbrio, como até nesse caso: ótimos lucros e maravilhosa propaganda são proporcionais a grandes despesas e riscos imensos.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Calçada da Fama Corporativa: As 150 Melhores Empresas para Trabalhar

Segundo Woddy Allen, 80% do sucesso é comparecer. E pensando de acordo com essa máxima, bastante cinematográfica, digna de estrelas, chego a atual importância que diversas empresas dão em estarem devidamente sentadas no suntuoso trono das 150 melhores empresas para se trabalhar.

E assim, se cria mais um nicho de mercado, onde RHs, equipes de Endomarketing e Comunicação interna, institutos internacionais de pesquisas, revistas segmentadas no assunto, jornalistas, diretores administrativos e muitos outros profissionais depositam boa parte de sua força de trabalho em busca desse Olimpo Organizacional.

Acredito que muitas corporações sabem fazer bom uso dessa oportunidade, investindo em seu pessoal com responsabilidade, desenvolvendo programas de incentivo em médio e longo prazo, planejando fluxos de informação de forma consistente, etc. Mas também sei de muitas organizações que, por conta da obsessão em se mirar nesta lista, tal qual um Narciso frente à poça d’água; muitas vezes não sabem o que fazer com o fato (não possuem um plano de mídia ou um projeto para captação de talentos) e quando ele se torna realidade, acabam se tornando cegas e surdas. Bem ao ritmo de uma tragédia grega mesmo.

E uma empresa cega e surda é um perigo para a sociedade, pois ela não consegue observar os limites, não consegue enxergar os precipícios que a rodeiam, sendo levada a uma queda que é sempre fatal. Levando muitas pessoas e famílias junto dela.

Para se pisar no solo sagrado das listas das melhores empresas para se trabalhar não são necessárias atitudes espetaculares, programas internos agigantados, muito menos projetos que causem grande impacto no balanço financeiro, nada disso irá conduzir uma empresa para este fim. Muito ao contrário, pois ser o que não se é dá tanto trabalho, que normalmente se acaba desistindo da máscara no meio do caminho, por cansaço.

O processo de investigação realizado pelos institutos responsáveis por esta “eleição” é feito exclusivamente com os funcionários da empresa inscrita. São eles que avaliam a empresa através de notas e questionários. Logo, avaliam de acordo com suas percepções a respeito da empresa e de seus aspectos tangíveis e intangíveis.

Sabemos que o primeiro objetivo de toda Comunicação e, mais precisamente em nosso caso, da Comunicação interna, é despertar a percepção dos funcionários para algo. E assim guiá-lo pelos caminhos corporativos necessários, de acordo com os objetivos da organização.
Desta forma, fica claro que de nada adianta imensos investimentos da organização da noite para o dia, processos de reengenharias, desenvolvimento de infinitos procedimentos ou qualquer outra iniciativa administrativa, se ela não vier acompanhada da Comunicação interna. Divulgando, explicando, motivando, mostrando para todos os objetivos da empresa e indicando os passos a serem dados no percurso correto, rumo a esta tão desejada calçada da fama. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

Vinho + Catedral = Motivação

Na página 131 do livro Endomarketing de A a Z, de Analisa de Medeiros Brum, me deparei com uma história interessantíssima sobre motivação. E desde já, agradeço a autora por possibilitar tamanha claridade através deste exemplo simples e histórico, para um assunto muitas vezes relegado à sombra.

A história começa com Filippo Brunelleschi, um dos primeiros arquitetos que se tem notícias, que teve como desafio a construção da cúpula da Catedral de Florença. Devido as suas grandes proporções e singularidades, é considerada até os dias atuais uma das maiores expressões do renascimento, uma grande comunhão do homem com o poder divino.

Em 1418 foi lançada a concorrência para o projeto da cúpula, mas só em 1420 foi que os maiores arquitetos da época se reuniram para discutirem suas ideias e rirem de nosso personagem principal, Fillippo. Afinal, seu projeto era muito diferenciado para a tacanha época em que estavam.

Após muitas discussões, dúvidas e questionamentos, o projeto de Brunelleschi acabou vitorioso e ele ganhou a concorrência em questão. A partir daí, pesadas lajes de mármore deveriam ser transportadas, e depois içadas até o alto da catedral; tudo realizado por uma mão-de-obra temperamental e duvidosa do sucesso daquela empreitada.

E só para que você fique ciente da dificuldade apresentada, levaram sete anos até que ficasse pronto um navio capaz de transportar 100 toneladas de mármore de Pisa até Florença, para o início da construção. Só que depois de percorrer 25 milhas do percurso este navio afundou, não sendo possível resgatar a valiosa carga e outra precisou ser esperada.


Quando chegaram as lajes de mármore, Brunelleschi já estava doente e desejava terminar seu desafio antes do projetado, pois gostaria de poder ver sua obra acabada. Então, para apressar o trabalho, resolveu que os operários não deveriam descer das alturas, onde atuavam. Até o almoço era oferecido lá em cima, na própria área de trabalho, tudo com a intenção de aumentar a produtividade e acelerar o cronograma da obra. Obviamente, isso não deu muito certo. Afinal, eram humanos.

Em um belo dia, um dos operários estava fazendo aniversário e ele, o arquiteto chefe, mandou servir vinho para todos como comemoração. Na tarde desse mesmo dia, nosso personagem observou que todos estavam mais felizes, utilizando sua capacidade criativa, tendo melhores soluções para os problemas cotidianos de seus ofícios e, assim, trabalhando com mais rapidez e eficiência.

Brunelleschi passou a servir vinho a todos, todos os dias. E no começo da primavera de 1446, a cúpula da Catedral de Florença estava pronta, dentro do projetado, e até os dias de hoje encantando os apaixonados por arquitetura e arte.

Bem, a história não conta quantos operários despencaram lá do alto da catedral, um tanto alegrinhos demais. Muito menos quantas confusões ocorreram, desde a da régua com o compasso, que teimavam em saírem do lugar a cada soluço; até entre os próprios funcionários, quando estavam mais pra lá do que pra cá.

Mas o que fica mesmo dessa história é a motivação que, quando efetiva e verdadeira sempre é fruto da criatividade, que vem a ser oriunda de uma observação atenta, sem medos e preconceitos. E também a importância dessa força motivadora que todos possuem, e que se transforma a cada situação, assumindo novas feições e posicionamentos. Tudo acontecendo de forma extremamente subjetiva e particular. Mas capaz de levantar uma Catedral!

Ah, nosso herói-arquiteto morreu poucos dias depois de ver sua obra acabada. E fim.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Integração ou Morte!

Você já foi a uma festa em que conhecia somente uma pessoa presente? E essa pessoa não te deu muita atenção? Acho que todos já passaram por esta experiência, terrível por sinal. As mãos se desencaixam do braço, os pés ganham 10 kg cada um, a língua fica com palpitação e seu eixo no mundo sai do lugar.

E isso tudo ocorre por um simples fato: se trata de uma festa. Pois se fosse uma missa, um enterro, uma formatura, uma visitinha ao fim da tarde, tudo bem, este comportamento já é esperado, o incomodo está sempre de sobreaviso. Mas a questão é que se trata de uma festa, o local próprio em que todas as pessoas estão se divertindo, menos você.

Fazendo uma analogia com o nosso universo corporativo, o primeiro dia de trabalho é muito próximo a esta sensação de estou na festa e não conheço ninguém, pelo simples fato de que naquele momento todas as pessoas estão trabalhando, menos você.

Sua cabeça está distante do ofício, seus sentidos todos aguçados, a tentação de sair correndo é forte, e a fome na hora do almoço? Sumiu. As apresentações ao público interno, seus novos colegas de trabalho, é um suplício; e tudo o que seu chefe fala é ouvido com tanta atenção que chega a ficar ecoando na cabeça durante alguns minutos, depois desce para o estômago.

É difícil a coisa não ser assim, pois estamos diante do novo e ele causa tudo isso mesmo em nosso corpo, desde o Homo Erectus. É da natureza humana. Mas o que nos salva, nessa questão, é que não somos só natureza, somos cultura também.

E nossa cultura ocidental possui algo que se denominou como boa educação. Nisso está contido o acolhimento, a recepção, a simpatia, a delicadeza, a boa vontade, a gentileza e mais diversos outros apetrechos sociais. Então, para começarmos logo a nossa conversa organizacional: não desenvolver um processo de integração para os novos funcionários, por mais simples que ele seja, é falta de educação!

Uma empresa que não possui esta ação em seus processos, culturalmente, é uma empresa mal educada, e sortuda. Porque só com muita sorte para conseguir manter-se atuante em um mercado feroz como este sem conduzir seu funcionário, logo de início, no caminho que se deseja. Afinal, se a primeira impressão é a que fica, acredito também que a primeira condução é a que se impõem.

Dentre os diversos benefícios de ações de integração está a adaptação mais rápida do novo funcionário às tarefas, o incentivo poderoso ao sentimento de pertencimento e cumplicidade, diminuição dos índices de acidentes de trabalho, redução das dúvidas e aumento da segurança e da produtividade e, principalmente, a criação de uma barreira ao desengajamento.

Pois quem nunca começou a trabalhar em uma organização e logo na primeira semana foi almoçar com alguém que só falou dos problemas da empresa, das injustiças e do mau caratismo do chefe? São nesses casos que o processo de integração possui seus maiores índices de eficácia, funcionando como uma vacina contra o desengajamento. E contra a morte súbita, que costuma acontecer muito antes dos 45 dias, mas que podem se estender por mais 45 dias, como título de experiência.

Então, o Ministério do Trabalho adverte: Não integrar faz muito mal para a saúde, de todos, principalmente da empresa.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

A empresa perfeita faz o carnaval

(publicado em 17/11/2011)
Como bom carioca, preciso admitir, as escolas de samba ocuparão um espaço relevante aqui no Blog. Mas não pense que tudo aqui acabará em samba, ou muito menos começará em carnaval, não é essa a idéia.

Júlio Ribeiro, do Grupo Talent, uma vez citou que muitos estudiosos de administração consideram a empresa mais perfeita já criada até hoje a escola de samba, e eu, além de concordar com a afirmação, considero um ótimo exercício para a prática de um Endomarketing mais criativo a investigação desse mistério.


Como é possível motivar e unir 6 mil pessoas de uma comunidade carente, que já possuem seus problemas financeiros, familiares, sociais; com baixo nível de escolaridade a se engajarem em um objetivo que tem por finalidade o carnaval, a descontração e o descompromisso?

E o desfile de interrogações prossegue, pois para tudo acontecer é necessária muita organização, muita verba, pesquisas históricas, pesquisas de materiais, figurinos complexos, alegorias mais complexas ainda e diversas outras exigências.

E na hora exata, um espetáculo acontece. Com balés coreografados, música, teatralizações, orquestra com mais de 400 instrumentos, tudo isso se movendo continuamente por uma avenida. E o melhor, sem um ensaio completo e coletivo (os ensaios técnicos que ocorrem antes do carnaval não possuem carros alegóricos ou fantasias). Na verdade, é um improviso calculado, cada vez mais calculado.

 E todos os anos isso acontece, com mais de 99% das pessoas trabalhando de graça nesse processo. E então, essa particularidade brasileira é ou não é para ser muito pesquisada?

Já estive muito próximo da vida de uma escola de samba. É realmente impressionante o respeito, a devoção, o empenho e a alegria em servir e atuar para aquela instituição. O entusiasmo de trabalhar para a escola de samba do coração é algo que transcende, é como se as pessoas se libertassem do medo de errar. Pois já que estão ali por sentimento, o que elas fizerem será bem aceito por todos e por ela mesma, e com esse pensamento o nível de acerto fica sempre localizado na escala máxima.

A comunicação em uma escola de samba é um dos principais propulsores desse “milagre brasileiro”, pois ela é absolutamente horizontal. Os tamborins da bateria do Mestre Barbante estão atravessando, toda a escola sabe. Ano que vem as fantasias das passistas terá pó de ouro junto com pó-de-mico (para sambarem mais), toda a escola sabe. No carro abre alas, a águia virá colocando 500 ovos de páscoa, toda a escola sabe. E isso, em uma velocidade que coloca até a tecla Enter em dúvidas.

Dessa maneira, a informação se torna um bem impalpável para os integrantes-funcionários daquela agremiação, que movidos pela paixão-comprometimento, colocam-na em movimento em todas as direções. Mas com um único e claro objetivo, fazer o melhor possível na hora exata.

Pra encerrar em apoteose, quer conhecer o mistério? Pois bem, as escolas de samba já nasceram, mais precisamente em 1928, sabendo o que era o mais importante a se vender e o mais fácil a se comprar no mundo, tanto para fora como para dentro de si mesma: novas experiências.

E é isso o que elas sempre fizeram e ainda fazem, todos os anos, pra tudo se acabar na quarta-feira.